A eleição suplementar em Paraty, realizada há menos de duas semanas, já está sob suspeita. O Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com ação de investigação judicial eleitoral por captação ilegal de voto e abuso de poder econômico contra o prefeito Luciano Vidal e o vice-prefeito eleito, Valdecir Ramiro, eleitos recentemente, além do empresário financiador da campanha dos candidatos eleitos, Ronaldo Freire Carpinelli, preso em flagrante no dia da eleição por oferecimento de vantagens a eleitores. De acordo com as investigações, no dia 4 deste mês, data das eleições suplementares realizadas na cidade, Ronaldo teria circulado em áreas carentes da cidade, notadamente as comunidades da Ilha das Cobras e Parque Mangueira, distribuindo dinheiro, material de campanha e pagando alimentos e bebidas em troca de votos para a chapa.
Luciano e Valdecir venceram as eleições suplementares por uma diferença de apenas 34 votos com relação à chapa que ficou na segunda colocação. Segundo MPRJ, no dia da eleição Ronaldo foi visto em frente ao Colégio Municipal Parque da Mangueira cercado por eleitores no momento em que foi abordado pelas equipes de fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral, que atuavam em apoio às eleições suplementares. Durante a abordagem, foram encontrados R$ 10.947 em espécie, um cheque ao portador no valor de R$ 7.558, apontamentos sobre entrega de bens e materiais de construção em diversos bairros da cidade e anotações de contratos firmados por ele com a prefeitura de Paraty, governado pelo grupo político de Luciano desde 2012.
Em seus pedidos, requer a promotoria que o auto de prisão em flagrante de Ronaldo seja distribuído à 57ª Zona Eleitoral, que os autos sejam enviados à Delegacia de Polícia Federal de Angra dos Reis para a instauração de inquérito que apure os crimes de compra de votos, caixa dois de campanha, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais, e identificação das empresas em que Ronaldo possui participação e, dentre estas, quais possuem contratos com a prefeitura.