Entregadores de aplicativos estão organizando uma paralisação para esta segunda (31) e terça-feira (1º), com o objetivo de pressionar plataformas como Ifood, 99 Entrega e Uber Flash por melhores condições de trabalho. Eles reivindicam, entre outras questões, reajuste da taxa mínima de R$ 6,50 para R$ 10 por entrega; aumento das despesas por milhas rodadas de R$ 1,50 para R$ 2,50;
limitação das rotas de bicicleta, de no máximo de 3km por pedido, respeitando os limites físicos dos ciclistas; e pagamento de taxa integral por entrega, sem cortes considerados arbitrários quando há múltiplos pedidos no mesmo trajeto.
“Estamos há mais de quatro anos sem nenhum centavo de reajuste”, diz o presidente do Sindimoto-SP (Sindicado dos Motoboys de São Paulo), Gil Almeida. “Cada vez mais, as empresas vão criando dados para comprometer mais o trabalhador, até que chegou a esse colapso”, acrescentou, explicando que a data de 1º de abril (Dia da Mentira), é simbólica. “Queremos mostrar a mentira que as empresas contam”.
Edgar Francisco da Silva, o “Gringo”, presidente da Amabr (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil), reclama que os entregadores são pagos apenas pela mão de obra, enquanto todo o restante é custeado por eles mesmos. “Tudo é a gente que compra. Moto, capacete, celular, capa de chuva… Nos pagam somente pela mão de obra, arcamos com todos os outros custos. Se um entregador ganha R$ 3 mil, ele fica com R$ 1,5 mil, por exemplo, porque o restante vai para gasolina, manutenção e prestação da moto, entre outros custos”.
Por ser um movimento espalhado por diversas regiões do país, com várias lideranças, não há como garantir paralisação total dos entregadores – no Sul Fluminense constam que muitos vão aderir. “Tem alguns trabalhadores que não querem ir para a rua, mas assinaram o abaixo-assinado para demonstrar que apoiam o movimento”, explicou Gringo.
Em nota, a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), que representa iFood, Uber e 99, afirmou que respeita o direito de manifestação e destacou que “suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores”.
A associação ainda argumentou que a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada, com base no último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
O ato ocorre na esteira da falta de regulamentação. Em maio de 2023, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) criou uma comissão especial com representantes de entregadores e porta-vozes das plataformas para costurar um acordo e apresentar um projeto de lei no Congresso Nacional. Sem consenso, os debates não evoluíram.
Na Câmara dos Deputados tramitam mais de 100 projetos em relação à regulamentação dos motoristas de aplicativos.
Na sua nota, a Amobitec ressaltou que as empresas associadas apoiam a regulamentação do trabalho por meio das plataformas digitais, “visando garantir a proteção social dos trabalhadores e a segurança jurídica das atividades”. A entidade também destacou que as empresas “operam dentro de modelos de negócios que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que procuram formas acessíveis para utilizar os serviços de delivery”. A reportagem é da IstoÉ Dinheiro. (Foto: Reprodução)